quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Movimenta-te

 

 

Tudo dito e tudo escrito sobre o estado do mundo, chegou a hora dos movimentos sociais. Com mais ou menos dramas, com mais ou menos radicalismos, os movimentos sociais, ou seja, nós, temos a oportunidade de mostrar que não andamos por aqui apenas para colocar uma cruz num quadrado, de tantos em tantos meses ou anos. Num quadrado escolhido por um partido, num quadrado que tem implicito pessoas que nós não escolhemos, que nós não conhecemos e que nós sabemos que não nos representam.

É publico que sou militante do PS há uns bons anos. Como qualquer carreirista previsto, iniciei o meu percurso na JS. Por ali andei uns anos. Parei. Regressei activamente nas últimas eleições autárquicas como membro da Assembleia Municipal. Renunciei ao cargo em Dezembro de 2011. Regressei por esperança, renunciei porque não me calo e nunca me subjugarei a interesses pessoais. Por outras palavras, sou infinitamente chata e infinitamente fiel ao principio da não confusão entre poder e vida pessoal.

Por tudo isto sei do que são feitos os partidos. Sei tudo o que os partidos contêm. O bom e o mau. Permanecendo militante do PS, não acredito que os partidos e o sistema politico que vivemos satisfaçam as nossas actuais necessidades. Creio que só os movimentos sociais podem devolver-nosuma democracia mais próxima da real, uma democracia mais justa, mais directa, mais representativa. Acredito noutro sistema político. Acredito que o fim deste tempo está próximo e que, por isso mesmo, temos que assegurar o nosso lugar nos próximos tempos. Sinto, vejo, converso, cada vez com mais pessoas, cujo valor é inquestionável, com vontade de fazer coisas diferentes. Com vontade de se organizar e de transformar. Com vontade de participar nesta mudança.

Num desses movimentos li, recentemente, algumas palavras que livremente traduzo: “tu não és uma máquina; tu, geneticamente não aguentas 2 ou 3 horas por dia em transportes, 8 a 12 horas de trabalho por dia, 5 ou 6 dias por semana; gostes ou não, és humano; stress, preocupações financeiras constantes, medo, desadequação, destroi o ser humano; então porque toleras um sistema que pede que esqueças as tuas necessidades, em favor do enriquecimento brutal de outros? Tu tens uma escolha. Pára de fingir que não tens.” Facto.

Em pouco mais de 100 anos, da revolução industrial até hoje, criámos o pior dos mundos, o pior dos sistemas. Somos globalmente miseráves, somos biliões, morremos de fome um pouco por todo o mundo, consumimos compulsivamente todos os dias coisas das quais não temos a menor necessidade. Esquecemo-nos de ser felizes porque temos que ser os melhores alunos, ir para as melhores faculdades, para depois trabalharmos que nem uns escravos, morrermos provavelmente de AVC ou ataque cardíaco, não vermos os nossos filhos, não sabermos que eles cresceram, não pararmos nunca. Não seria esta a ideia mas foi a este mundo que chegámos. Uns ofensivamente ricos, outros miseravelmente pobres. No meio de tudo isto, somos governados por meia duzia dos tais carreiristas que não sabem nada de nada. Por vezes, nem acreditamos em tanta estupidez. Parece impossível. Mas não é! Depois vem outra meia duzia, mais letrada, e diz-nos que nos temos andado a portar mal e por isso vamos ter que pagar bem nos próximos anos, décadas, sei lá...

Não é isto que eu quero, não é isto que muita gente por este país e por este mundo quer, por isso, chegou a minha, a tua, a nossa hora. Movimenta-te. Diz o que pensas. Diz o que queres. Manifesta-te. O silência mata e temos andado todos a morrer devagar.

Propaganda? Talvez. Esperança? Sempre!

Jornal de Leiria, 22 de Fevereiro de 2012

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